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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sem dinheiro, Samu empresta ambulâncias para não parar


Dos 12 veículos, nove estão parados esperando manutenção. Ciap deixou de repassar os valores para conserto das ambulâncias
 
16/08/2010 | 12:52 | atualizado em 16/08/2010 às 18:19 | Amanda de Santa (Colaborou: Fábio Luporini)

Sem verbas para realizar a manutenção das ambulâncias, o Samu de Londrina teve que emprestar dois carros do Estado para não interromper os atendimentos. Dos 12 veículos do serviço de emergência, apenas três estão em funcionamento. Na manhã desta segunda-feira (16), o Samu atendia com cinco veículos, sendo dois emprestados dos Hospitais da Zona Sul e Zona Norte.
Segundo o chefe da frota do Samu, Valdemir Juliano, o repasse para a manutenção das ambulâncias foi suspenso pelo Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap), entidade suspeita de um desvio milionário de recursos públicos, que gerencia o serviço, no dia 10 deste mês e, desde então, os carros estão parados. Cinco veículos estão em oficinas e quatro permanecem no pátio da unidade a espera de conserto.
O coordenador do Samu, Elândio Câmara, afirmou ainda que as oficinas não querem mais prestar serviço quando o pagamento é feito via Ciap. "De uma semana pra cá, eles estão recusando pegar os carros da prefeitura", disse. Ele afirmou o atendimento não foi prejudicado na segunda em razão do empréstimo dos veículos dos Hospitais da Zona Norte e Zona Sul. “Conversamos com a direção dos hospitais e elas liberaram as ambulâncias até que as nossas sejam consertadas”, ressaltou.
De acordo com o coordenador do Samu, a expectativa é que os veículos voltam a atender os pacientes até o fim desta semana. “A prefeitura ficou de fazer o repasse para o conserto dos veículos, esperamos que o dinheiro seja liberado o quanto antes para tirarmos as ambulâncias da oficina”, disse.
A reportagem tentou contato com o secretário de Saúde, Jair Gravena, e com o prefeito Barbosa Neto (PDT), mas ambos estavam com os celulares desligados. A assessoria de imprensa informou que os repasses de julho para a manutenção foram retidos, pois o Ciap não apresentou os documentos exigidos. A prefeitura afirmou ainda que pode recorrer à Justiça se o serviço não for normalizado.
A reportagem tentou contato com o Ciap, mas ninguém atendeu às ligações.

Salários

Parte dos 1,1 mil funcionários do Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) recebeu os salários referentes ao mês de julho nesta segunda-feira (16). Apenas os profissionais do Programa Saúde da Família (PSF) ainda não foram pagos. Os salários estavam atrasados desde o dia 6 de agosto.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina e Região (SinSaúde), Júlio Aranda, os funcionários do PSF tem conta em bancos diferentes e o atraso já era previsto. "Eles devem receber ainda hoje. A prefeitura está no prazo", afirmou.
Agora, a preocupação do sindicato, segundo Aranda, é em relação ao fim do contrato da Prefeitura de Londrina com o Ciap. "Estamos preocupados se vai ter dinheiro para pagar o acerto dos funcionários e como ficará a situação deles", disse.

PSF

Uma funcionária do Ciap, que preferiu não se identificar, disse que até por volta das 18 horas ainda não havia nenhum depósito. “Falamos com o promtor [Paulo Tavares] e ele disse que temos que aguardar, porque o acordo era até hoje”, disse. Entretanto, se não houver o depósito dos salários, os trabalhadores prometem cruzar os braços. “Vamos verificar pela manhã se houve. Senão, vamos nos encontrar na frente da Inesul, onde fica o Ciap.”
Ao todo, são 37 funcionários do programa de internação domiciliar, além dos que trabalham no Programa Saúde da Família (PSF). Os salários variam desde o mínimo até R$ 1,8 mil, valor recebido por alguns médicos contratados pelo Ciap, que também não receberam. 

Municipalização

Na terça-feira (10), município prometeu a substituição do Ciap em um prazo de 60 dias. Para o Samu e o Programa Saúde da Família, o município abrirá processos licitatórios. Já para endemias e a Policlínica a contratação dos trabalhadores ocorrerá por meio de teste seletivo. Esta foi a forma encontrada para a ruptura dos quatro contratos que, atualmente, são gerenciados pelo Ciap, e que somam R$ 47 milhões.

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